Há exato um ano, o país acordava chocado com a notícia da morte do blogueiro e jornalista, Décio Sá. Um ano depois, o crime ainda não foi elucidado e a Ditadura da Censura à Imprensa continua a imperar no nosso Estado, ao mesmo tempo em que a impunidade faz com que novos censores surjam a cada dia com a certeza que jamais serão presos, ou condenados.
Quem acompanhou as notícias envolvendo a morte do jornalista e blogueiro, que ficou conhecido como Caso Décio Sá, lembra que desde o primeiro momento, o crime se desenrolou como uma história hollywoodiana, desde o assassinato, à apreensão do acusado do crime e dos supostos mandantes, passando pela denúncia de que um deputado, empresários e ex-prefeitos estariam envolvidos em um “consórcio” para assassinar o jornalista, o que resultou no indiciamento de 13 pessoas envolvidas.
Diferente de casos como o da Maria da Penha e da Carolina Dieckmann que viram seus processos virar leis (Lei 11.340/06 e Lei 12.737/2012 respectivamente) surgir com seus nomes, sem mesmo terem sido fatais (não que esperássemos que isso tivesse ocorrido, mas só para compararmos os casos), o assassinato de blogueiros como o Décio Sá e Amilton Alexandre, o mosquito, jornalista e blogueiro que foi encontrado morto após denunciar estupro que envolveu um membro da família Sirotsky, do grupo RBS - filial da Rede Globo em SC e RS, para não citar outros, tendem a cair no esquecimento sem que o caso seja solucionado e os acusados, condenados. Nos dois episódios vemos como os nossos representantes dos poderes legislativo e judiciário se empenham em criar leis para punir os personagens desprovidos economicamente de recursos e deixar impunes os mais abastados.
Por coincidência, ontem, 23/04, recebo a ligação de um colega de profissão, com quem tive o prazer de trabalhar no município de Araioses-Ma, entre 2010 e 2012, e que há meses não tinha contato, Marcio Maranhão, que hoje atua como blogueiro fazendo oposição ao atual governo. Após os primeiros minutos de conversa me vem à memória a história do Décio Sá e fico a imaginar que mais uma vez (espero que não) a história pode se repetir, sem que nenhuma providência seja tomada. Se na capital, um blogueiro do principal meio de comunicação do Estado foi assassinado e até hoje está impune, imaginemos alguém do interior do estado com população com menos de 50 mil pessoas e onde a lei do coronelismo ainda impera.
Pelos anos que trabalhei com o Marcio Maranhão, conheço a sua índole, sua seriedade, sua responsabilidade, e a sua preocupação em fazer o melhor pelo povo e pela terra onde ele nasceu e que retornou após uma longa passagem pela capital do nosso país, aonde foi buscar formação profissional. E como profissional da comunicação me sinto também atingido, podado do meu direito de expressão, quando vejo que a imprensa vem sendo sistematicamente privada do seu direito de denunciar os abusos cometidos por governantes que não primam pelo bem estar de quem eles representam e dos bens públicos.
Peço a todos os amigos da imprensa que divulguem este meu desabafo, minha preocupação, e meu apelo para que não tenhamos daqui a um ano que lembrar a partida de mais um amigo da imprensa, que para além de ter o seu direito de expressão cerceado, ter sido calado em definitivo por quem se acha acima do bem e do mal para cometer crimes contra a vida e contra o patrimônio público.
Emerson Marinho

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